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Reações à ISO 29.119 – Proposta de Padronização de Testes de Software

iso29119A Organização Internacional de Padrões (International Standards Organisation – ISO), em colaboração com outros grupos, está preparando um novo padrão: o ISO/IEC/IEEE 29919. Este padrão busca padronizar e discriminar muitas das práticas e técnicas para testes de projetos de software. A resposta da comunidade de testes vem sendo muito negativa, em razão da natureza prescritiva do padrão e da exclusão de abordagens dirigidas ao contexto (context-driven).

 

O objetivo declarado do padrão é:

 

O ISO/IEC/IEEE 29119 Software Testing é um conjunto de normas internacionalmente acordadas para teste de software e que pode ser usada em qualquer organização ou ciclo de vida de desenvolvimento de software. Implementando estas normas, adotam-se os únicos padrões de testes acordados e reconhecidos internacionalmente, que irão prover a organização com uma abordagem de alta qualidade para testes e que pode ser comunicada por todo o mundo.

 

Stuard Reid, líder do grupo de trabalho da ISO que está desenvolvendo o padrão, compartilhou um webinar que explica a intenção e o conteúdo do padrão proposto.

 

O novo padrão vai substituir padrões existentes que foram publicados por diferentes grupos:

– IEEE 829 Test Documentation

– IEEE 1008 Unit Testing

– BS 7925-1 Vocabulary of Terms in Software Testing

– BS 7925-2 Software Component Testing Standard

 

A reação da comunidade de testes vem sendo muito negativa e algumas petições estão sendo criadas solicitando a rejeição do novo padrão.

 

James Christie fez uma palestra na conferência CAST 2014 onde rejeita a premissa sob qual a certificação é baseada. Escreveu um post no blog intitulado “ISO 29119: Por que é perigosa para a comunidade de desenvolvimento de software?” onde explica as ideias da palestra:

 

Argumentei que a ISO não atingiu consenso, ou sequer tentou atingir consenso da indústria de testes de software. Aqueles que discordaram da necessidade da ISO 29119 e de sua abordagem foram ignorados. Os oponentes foram classificados como irrelevantes. Se a ISO 29119 está expandindo o mercado, e se ela representa meramente uma nova alternativa — uma nova opção para os testers, empregados e clientes de serviços de testes — então deveria haver pouca objeção a ela. Entretanto, está sendo empurrada como a forma responsável e profissional de testar software — ela é uma norma da ISO e portanto, por implicação, a única abordagem profissional.

 

Sob o título “O que há de Errado com a ISO 29119” James Christie afirma:

 

Bem, ela incorpora uma abordagem datada, falha e desacreditada para testes. Requer um compromisso pesado, documentação avançada e construída no início do processo. Na prática, este esforço para documentação é largamente desperdiçado e serve apenas como uma distração de uma preparação útil para os testes.

 

Esta abordagem ignora os avanços obtidos nas últimas duas décadas nos campos de gerenciamento e testes. A ISO 29119 tenta atualizar uma visão de mundo de meados do século vinte usando a terminologia do século vinte e um como “verniz”. Ela proclama a utilização de conceitos mais atuais como iterações, contexto e Agile, entretanto seus fundamentos permanecem inalterados.

 

O perigo é que compradores e advogados vão insistir no cumprimento da norma como um requisito contratual. As empresas que de outra forma ignorariam a norma se sentirão obrigadas a seguí-la para que possam ganhar contratos e fazer negócios. Se o contrato exigir cumprimento então todo o processo de desenvolvimento que se segue pode ser moldado por um padrão de testes prejudicial. A ISO 29119 pode afetar qualquer um envolvido no desenvolvimento de software e não apenas os testers.

Huib Schoots postou uma análise acerca do debate sobre a ISO 29119 no qual ele resume os pontos contra a norma.

 

James Bach, fundador e defensor da escola de testes Context Driven respondeu a proposição da norma com um post no qual ele afirma:

 

Um padrão para testes deveria refletir os valores e práticas da comunidade mundial de testers. No entanto, as preocupações da escola de pensamento Context-Driven, que vêm sendo desenvolvidas nos últimos 15 anos, foram ignoradas e nossos valores foram podados por esta norma e pelo processo utilizado para criá-la. Eles fizeram isto nos excluindo. Existem duas organizações explicitamente devotadas aos valores de Context-Driven (AST e ISST) e nossa comunidade mantém várias conferências anuais. Membros de nossa comunidade apresentam palestras nas maiores conferências de praticantes e nossas idéias são amplamente citadas. Alguns dos testers mais famosos do mundo, incluindo eu, são Context-Driven testers. Nós existimos e, junto com os agilistas, somos a fonte de quase todas as novas ideias de testes na última década.

 

Ele continua e afirma que a atividade de testes de software ainda não está pronta para padrões:

 

A razão pela qual eles nos excluíram é que eles sabem que não concordamos com padrões simplistas baseados em templates ou fórmulas simples. Sabemos que estas coisas parecem bonitas, mas não ajudam. A ISO talvez nunca teria terminado se não tivessem nos excluído. Eles sabiam que iríamos desafiar as evidências e mesmo sua ética e competência básica. E é por isso que eu digo que este ofício não está pronto para padrões. Se passarão anos antes que todos os especialistas reconhecidos em testes possam se reunir e concordar em qualquer coisa substancial.

 

Gil Zilberfield argumenta contra o padrão mas sente que os ” testers estão perdendo a batalha da ISO 29119″, pois:

 

As organizações querem a certificação por que elas precisam ou acreditam que ela vai melhorar sua qualidade. Elas estão buscando pela melhor, mais simples e menos arriscada forma de conseguí-la. A organização ISO oferece a forma mais simples e que funciona com o conceito de “documentação como prova”. Todo mundo fica feliz. Exceto os praticantes.

 

É certo que o debate será acirrado.

 

Fonte: www.infoq.com – Acesso em 28/03/15

About Luiz Lohn

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Luiz Lohn trabalha como QA Engineer em uma multinacional, além de realizar palestras e consultorias em empresas. Atua como um dos coordenadores do GUTS-SC (Grupo de usuário de teste de software), membro ativo na comunidade de qualidade e teste de software, ministra palestras e cursos. Especializando-se em segurança web e mobile.

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